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O jogo “Capoeira Legends”

He encontrado un sitio donde una empresa de Brasil (DonSoft) ha realizado un juego de ordenador sobre la capoeira en el tiempo de la esclavitud y cómo se forjaron los capoeiristas de leyenda.

Tienen un vídeo-trailer del juego que os pongo a continuación:

Extracto de “A Arte da Capoeira” de Camille Adorno

Buenas, os pongo un extracto del libro “A Arte da Capoeira” de Camille Adorno en el que se narra, por boca de Ramagem Badaró (periodista contemporáneo de Mestre Bimba), no practicante de la capoeira, la visión de una roda de capoeira de Mestre Bimba. Cuando lo leí me pareció uno de los mejores pasajes descriptivos de la capoeira que he leído. Es largo pero merece la pena leerlo:

“Tinha uma difícil missão a cumprir. Encontrar um assunto para
uma reportagem que não fosse sobre guerras, suicídios ou crime. Um
assunto diferente que não proviesse da fonte comum de todas as
reportagens da cidade. Das delegacias de polícia, do Necrotério ou da
Assistência. Porque os casos de delegacia são sempre os mesmos:
roubo, crime e sedução. Os de Necrotério são anacrônicos e os de
Assistência, banalíssimos.
‘Estava nesse dilema, quando passou um negro de andar gingante
de capoeira. Tinha resolvido o problema. Lembrei-me de mestre Bimba e
da velha Roça do Lobo. Fui até o bairro elegante dos Barris, em cujos
flancos se derramam em desordem as casas de taipa da vala do Dique.
Presépios de palha da miséria sem esperança dos homens do povo.
Quando comecei a descer pela picada aberta na ladeira pelos pés
descalços e calosos daquela gente que nasce com o atavismo dos párias
e a herança do infortúnio, já os sons dos berimbaus traziam aos meus
ouvidos o cartão de boas vindas do terreiro de mestre Bimba. Continuei
descendo, até que de repente o caminho se alargou e se confundiu com
o terreiro onde os homens lutavam Capoeira. O povo formava um
círculo ao redor dos dois homens lutando. Jogando Capoeira no centro
do círculo.
‘O berimbau batia compassadamente, tin-tin-tin… tin-tin-tin…
tin-tin-tin… enquanto os homens pulavam, caíam, levantavam-se num
salto e deixavam-se cair outra vez, se golpeando mutuamente. O povo
batia palmas acompanhando a música dos berimbaus e cantando o
estribilho da Capoeira:

Zum, zum, zum, zum/ Capoeira mata um
Zum, zum, zum, zum/ No terreiro fica um…

Caí também no meio da turma e comecei a bater palmas e a
tentar cantar o zum, zum da Capoeira (…).”
Badaró narra o instante que precede a entrada do mestre Bimba
no jogo e a emoção que tomou conta dos espectadores.
“De súbito, o tin-tin nervoso dos berimbaus sumiu, calou-se,
parou. Os berimbaus deixaram de tocar. Os homens que estavam
lutando também pararam. Com as roupas molhadas de suor
desenhando nas dobras do corpo os músculos possantes. Os
assistentes aplaudiram os homens que tinham acabado de lutar. E eles
cantaram um corrido, agradecendo os aplausos.
Ai-ai de lelô/ Iem-ien de lalá
Adeus meus irmãos/ Nós vamos rezar

‘Nesse momento gritaram:
- Mestre Bimba vai lutar!
‘Todo mundo se voltou para trás, batendo palmas e gritando:
- Mestre Bimba… mestre… viva… viva… vivôôôôôô.
‘Um preto agigantado entrou no círculo formado pelo povo.
Sorrindo. A multidão aplaudiu com mais força. O sol bateu-lhe de rijo
no rosto escuro, iluminando-lhe as feições. Era de fato, alto. O rosto
oval. Os olhos fundos escondidos numa testa saliente. Nariz chato.
Carapinha rala quase careca. E um bigode pequeno, ralo, em forma de
triângulo sobre os lábios grossos. Mas no conjunto era simpático.
O jornalista narra a forma como Bimba se prepara para jogar,
enfatizando a aura de respeito que envolvia o famoso mestre. Uma
disputa de versos antecede o confronto na roda de Capoeira.

“Quando Bimba entrou no círculo os berimbaus começaram a
ensaiar uns toques. E a multidão que enchia o terreiro aplaudia
freneticamente o seu ídolo. Nisso, um crioulo possante entrou no
círculo, aceitando o desafio. E o povo comentou a coragem daquele
homem que ia lutar com Bimba. Porque entrar numa luta com Bimba
sem ser convidado por ele é procurar encrenca. Mesmo sendo mera
demonstração. Porque ele é o rei da Capoeira. Os berimbaus ensaiaram
um toque e um dos homens perguntou:
- Qual é o toque? – São Bento Grande Repicado, Santa Maria, Ave
Maria, Benguela, Cavalaria, Calambolô, Tira-de-lá-bota-cá, Idalina, ou
Conceição da Praia?
‘Bimba pensou rapidamente e disse:
- Toque Amazonas e depois Benguela.
‘Os berimbaus começaram a tocar. O crioulo aproximou-se e
mestre Bimba apertou-lhe a mão. E o povo começou a acompanhar o
tin-tin-tin dos berimbaus, batendo palmas. Bimba balanceou o corpo e
cantou:
No dia que eu amanheço/ Dentro de Itabaianinha
Homem não monta cavalo/ Nem mulher deita galinha
As freiras que estão rezando/ Se esquecem da ladainha

‘Mas o crioulo não ficou atrás e cantou, negaceando o corpo no
compasso dos berimbaus.
A iúna é mandingueira/ Quando está no bebedor
Foi sabida e é ligeira/Mas capoeira matou

‘Palmas festejaram o repente do crioulo. Porém, Bimba não deu
tréguas à vitória do outro. E respondeu:
Oração de braço forte/ Oração de São Mateus
Pro cemitério vão os ossos/ Os seus ossos, não os meus

‘Novamente o povo aplaudiu e cantou o estribilho da Capoeira:
Zum, zum, zum, zum/ Capoeira mata um
Zum, zum, zum, zum/ No terreiro fica um

‘O crioulo, entretanto, não deixou cair a quadra de mestre Bimba
e replicou:
E eu nasci no sábado/No domingo me criei
E na segunda-feira/ A Capoeira joguei

‘A multidão deu vivas e bateu palmas para os dois lutadores no
centro do círculo. Uma preta comentou:
- Bom menino! Se é bom na briga como é no canto, boa parada
para Bimba.
Começa então a disputa na roda e Ramagem Badaró conta com
detalhes o momento final: “Os dois lutadores negaceavam os corpos ao
som da música dos berimbaus. Um defronte do outro. Olhando-se
dentro dos olhos, se estudando mutuamente. O crioulo foi o primeiro a
começar. Fazendo algumas fintas, procurando descobrir as partes
fracas do adversário. E mestre Bimba aparentemente deixava-se cair
nas ciladas do outro. O crioulo foi começando a tomar gosto e abrindo
mais a própria guarda, concentrado no ataque. A multidão no terreiro
da Roça do Lobo, continuava acompanhando com as mãos o tin-tin-tin
dos berimbaus. E a cantar em coro o estribilho da Capoeira:
Zum, zum, zum, zum/ Capoeira mata um
Zum, zum, zum, zum/ No terreiro fica um

‘Enquanto isso os lutadores continuavam negaceando os corpos,
procurando descobrir os pontos fracos do adversário.
‘De repente, pararam de súbito. E ficaram mudos de atenção,
apreciando o ataque. O crioulo avançou rápido, levantou uma perna e
deu uma meia-lua-armada pela direita de Bimba. Porém, não deu
resultado, porque Bimba foi mais rápido. Deixou-se cair na guarda,
enquanto tentava puxar o adversário numa rasteira. Mas, o crioulo
também era ligeiro e livrou-se do golpe com um aú pela esquerda.
Bimba insistiu, tornando a atacá-lo. Tentando pegá-lo numa cabeçada
presa. Porém o crioulo contra-atacou com uma calcanheira
violentíssima. Entretanto Bimba livrou-se agilmente com um formidável
pulo mortal.
‘Os berimbaus tocavam com mais frenesi. Demonstrando a
excitação nervosa dos tocadores. Também as palmas de
acompanhamento diminuíram muito, quase cessando.
‘Enquanto isso a assistência completamente em suspenso,
apreciava a luta nos seus mínimos detalhes.
‘Bimba notou que tinha bom adversário. O crioulo era bom de
verdade. Manhoso, ágil e corajoso. O crioulo começou a se afastar de
Bimba como se fosse dar-lhe as costas numa fuga. Bimba percebeu de
relance o truque do adversário e ficou em guarda. Os músculos
completamente controlados, prontos para aproveitar aquela
oportunidade. Como ele esperava, o crioulo deu-lhe completamente as
costas, como se fugisse da luta. Esperando que ele caísse no velho
truque da Capoeira e mergulhasse num arpão de cabeça, dando-lhe a
oportunidade de contra-atacar com um mortífero arpão de joelho.
Mestre Bimba, que já previra o golpe, defendeu-se com uma negativa.
Puxando ao mesmo tempo a única perna do crioulo apoiada no chão,
com uma violenta rasteira. Pegado de surpresa, o crioulo perdeu o
equilíbrio, subiu e desabou no terreiro. Uma gritaria retumbante
festejou a sagacidade de Bimba. Todo mundo ficou excitado, menos
mestre Bimba.
‘O capoeirista caído, levantou-se com a mesma rapidez com que
caíra. Porém, estava raivoso, com o sangue fervendo nas veias. Danado
de raiva e meio descontrolado. E afastou-se de Bimba, sempre
negaceando o corpo, procurando desanuviar a cabeça. A assistência
gritava e batia palmas acompanhando o tin-tin-tin nervoso da orquestra
dos berimbaus e o xique-xique dos chocalhos de vime, cantando sempre
o estribilho da capoeira:
Zum, zum, zum, zum/Capoeira mata um
Zum, zum, zum, zum/No terreiro fica um

‘Nesse instante o crioulo voltou novamente para o centro do
círculo. E avançou para Bimba tentando pegá-lo numa vingativa pela
esquerda. Não acertou e tomou uma vaia. O crioulo se descontrolou e
avançou louco de raiva. Tentou apanhar Bimba com um golpe de
cotovelo e um sopapo galopante. Mas Bimba não se deixava alcançar.
Continuava negaceando o corpo, sempre fintando, por meio de rápidas
escapadas. A multidão delirava. Isso, entretanto, lhe distraiu a atenção.
Fazendo com que relaxasse a vigilância da sua guarda. E o crioulo
soube tirar partido desse descuido. Aproximou-se veloz, levantou a
perna e deu-lhe uma bênção em pleno peito. Mestre Bimba pressentiu o
golpe e tentou livrar-se. Foi ligeiro. Mas não o suficiente para se livrar
completamente do golpe. O peito lhe doeu e a sua vaidade também.
Porque as palmas do público festejavam o crioulo.
‘Bimba não deu tréguas à vitória do outro. Avançou para o crioulo
fingindo ir dar um balão açoitado. Depois, ensaiou uma palma e
levantou a perna como se fosse dar uma bênção. O crioulo ficou todo
confuso com a rapidez e a sucessão dos golpes. Pensou que aquele
último golpe era o verdadeiro ataque que Bimba queria fazer e procurou
defender-se caindo numa rasteira. Viu o seu erro e tentou derrubar
Bimba com uma encruzilhada. Também errou e mestre Bimba
dominou-o com um tronco de pescoço, antes que ele pudesse livrar-se
num balão. Tinha vencido a luta. O povo invadiu o terreiro aplaudindo o
rei da Capoeira. Bimba abraçou o adversário. E o crioulo mostrou que
era homem mesmo. Cantou:
Santo Antônio pequenino/Amansador de burro brabo
Amansai-me em Capoeira/com setenta mil diabos

‘Bimba gostou do elogio e retribuiu, cantando:
Conheci um camarada/Quando nós andarmos juntos
Não vai haver cemitérios/P’ra caber tantos defuntos

‘A multidão tornou a aplaudir e mestre Bimba abraçou o crioulo
(…).”
Com sua incursão no terreiro de mestre Bimba, Ramagem Badaró
conseguiu sua reportagem e escreveu bonita página sobre a Capoeira
desse tempo, mostrando-nos mais uma vez o quanto é solidária a
autêntica manifestação da luta, nessa arte.

El nombre del capoeirista

Todo capoeirista dispone de un nombre o apodo dentro de la capoeira. Este nombre se recibe en el momento en que el capoeirista es bautizado dentro de la capoeira, en el festejo conocido con el nombre de batizado. No hay que confundir el batizado con la troca de corda o festejo en el que aquellos grupos que utilizan graduaciones las cambian. El batizado simboliza la entrada del capoeirista en la comunidad de la capoeira. En este festejo, el capoeira realiza un juego con uno o varios mestres o profesores que le darán un golpe o rastreira o algo similar (flojo) simbolizando los golpes que uno se lleva en la vida. Una vez finalizado, se le da el nombre al nuevo capoeira, que es con el que será conocido por el resto de capoeiras.

¿Por qué un nombre o apodo? Porque de esa forma se oculta el verdadero nombre y nadie lo conoce. Antiguamente, cuando la capoeira estaba prohibida y las actividades de los capoeiras no eran todo lo lícitas que debían ser, el apodo era fundamental para ocultar el verdader nombre del capoeira a las autoridades. Como nadie sabía el nombre de nadie, el capoeira no podía ser delatado. Nombres famosos de tiempos pasados son Besouro Mangangá, también llamado Cordao de Ouro, Bimba, Pastinha, Bentinho, etc.

Actualmente se conserva la tradición del apodo y todos los capoeiras tienen un nombre por el que son conocidos, el nombre es puesto por la persona que enseña. Es muy poco corriente conocer el nombre verdadero de un capoeira.

Axé,

Louro

Premios a lo mejor de lo mejor

He estado mirando los vídeos de los premios a los mejores capoeiristas y movimientos en la roda de la página www.capoeira-connection y son buenísimos.

Los dos primeros son la caña.

http://www.capoeira-connection.com/main/content/view/45/84/